queijunto e preso

gentileza abril 5, 2010

Filed under: contos de queijunto e preso,para pensar no futuro — tijolooo @ 11:00 pm

acordo atrasada. não que isso seja de fato algo relevante, mas essa noite foi sim especialmente péssima [por motivos que nem importam nesse contexto, mas suficientes para começar o dia empastelada com além do mau-humor rotineiro].

bem, retomando, atrasada. não cinco, nem dez, nem quinze minutos… uma hora atrasada. UMA HORA. apresso-me em tomar café-da-manha correndo, o que nem preciso dizer já agrava mais o meu patológico mau-humor-matutino-agravado-pela-noite-mal-dormida. tomo meu banho e saio as pressas. e volto pra buscar o guarda-chuva, e saio novamente. sem nenhum tostão no bolso. NENHUM. sigo em direção a um caixa eletrônico, o qual não leria o meu cartão durante as vinte primeiras tentativas. fila. FILA. 8h50 da manhã e… fila!?!?!? eu me concentro, engulo seco [o “p* que p*”] e prometo que não vou mais perder a hora [em vão, eu sei]. e fico por lá pelo menos uns 15 minutos até obter meu dinheiro.

hora da idéia brilhante: vou pela rebouças. raciocínio: afinal, estou atrasada e pela rebouças SEMPRE [“menos hoje minha cara” – voz divina], vai mais rápido, vai em 20 minutos. e fico, meia hora… MEIA HORA no acesso da paulista pra rebouças. puta que pariu. de pé. PUTA QUE PARIU!

consigo me aproximar da catraca duas paradas antes da minha. apóio tudo na catraca, pego meu dinheiro no bolso e entrego ao cobrador. na hora de receber o troco, percebo que tenho guarda-chuva numa mão, a bolsa e uma sacola penduradas no ombro e com a outra mão [pasmem!] eu tento ME segurar… sem nenhuma catraca de apoio. e não, eu não alcanço aquelas barras altas! ok, o ônibus segue devagar no trânsito, eu posso me soltar.

e nesse momento, justamente nesse momento, e pela primeira vez em todo o trajeto, o ônibus dá uma guinada, resolvendo aumentar progressivamente a sua velocidade.

eu só não caio porque, um rapaz sorridente e de bom coração, quando viu minha incessante dúvida entre largar o guarda-chuva molhado num espaço inexistente ou largar a mim mesma, resolver me segurar pelo braço, garantindo que eu não caísse até que meu dinheiro estivesse novamente no bolso.

agradeci. e sorri pela primeira vez no dia, depois de mais de uma hora acordada.

e fiquei perplexa com a perplexidade com a qual recebo a gentileza de um estranho.

estranha é essa pessoa na qual eu me transformei.

anestesiada e desconhecendo gentilezas…

 

One Response to “gentileza”

  1. a.cartolina Says:

    eu tenho uma teoria que vai ser rechaçada, mas vou falar:
    são paulo faz isso com as pessoas!


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